Lince Ibérico


O lince-ibérico (Lynx pardinus), é uma espécie de felino bastante afectada e em grande perigo de extinção. Tem um porte muito maior do que um gato doméstico e o seu habitat restringe-se à Península Ibérica. Existem apenas cerca de cem linces ibéricos em toda a Península Ibérica.

Dieta

A sua dieta é constituida por coelhos, mas quando estes faltam ele come veados, ratos, patos, perdizes, lagartos, etc.

Habitat

O lince-ibérico somente existe em Portugal e em Espanha. A população está confinada a pequenos agregados dispersos, resultado da fragmentação do seu habitat natural devido a factores antropogénicos.

O lince-ibérico selecciona habitats de características mediterrânicas, como bosques, matagais e matos densos. Evita habitats artificializados, nomeadamente plantações florestais de exóticas e campos agrícolas extensos. Pelo menos entre 50 a 60 por cento dos territórios de linces deverão ser compostos por matagal e cerca de 20 por cento por orlas entre pastagens e matagal.

Reprodução

Os acasalamentos ocorrem entre Janeiro e Março e após um período de gestação que varia entre 63 e 74 dias nascem entre 1 e 4 crias. O mais comum é nascerem apenas 2 crias que recebem cuidados unicamente maternais durante cerca de 1 ano, altura em que se tornam independentes e abandonam o grupo familiar. Regra geral, quando nascem 3 ou 4 crias, estas entram em combates por comida ou sem qualquer motivo e acabam por sobrar apenas 2 ou até 1, daí um dos seus pequenos aumentos populacionais.

Características

O lince é um Felídeo de pelagem castanho-amarelada com pintas negras e cauda curta com a ponta preta. Uma característica muito particular é o facto das orelhas possuírem nas extremidades pêlos rígidos em forma de pincel. Outra característica, muito conhecida nestes felídeos, é o facto de possuírem longas patilhas que crescem progressivamente ao longo do tempo. Os seus membros são robustos, sendo os posteriores mais longos, o que lhe confere grande capacidade de impulsão, enquanto que os anteriores são mais curtos e fortes sendo por isso utilizados na captura das presas.
Factores de Ameaça

As principais ameaças à sua sobrevivência são a acentuada regressão do coelho bravo e a destruição dos habitats mediterrânicos.

A regressão desta espécie em Portugal iniciou-se sobretudo aquando da “campanha do trigo” nos anos 30-40, altura em que o seu habitat foi consideravelmente reduzido. Mais tarde, a mixomatose e a febre hemorrágica viral foram responsáveis por uma acentuada regressão das populações de coelho bravo, principal presa da sua dieta. Outro dos grandes desequilíbrios induzidos pelo homem foi a destruição de áreas naturais para plantação de espécies florestais mais rentáveis economicamente como é o caso dos pinheiros e dos eucaliptos. Desde então, as populações desta espécie nunca mais voltaram a recuperar e nos anos 80 temia-se já que apenas existissem 50 indivíduos em território nacional.

Apenas nos finais da década de 90 foi assumida a preocupação nacional com a espécie e foi promovida uma avaliação da situação populacional do lince (Programa Liberne . Instituto de Conservação da Natureza). Os resultados dessa avaliação vieram confirmar o declínio generalizado da espécie.

Aliados a todos estes factores, também a caça furtiva, o controlo desregrado de predadores que se verifica em várias áreas de caça dos diversos regimes cinegéticos, com recurso a armadilhas não selectivas, bem como a morte por atropelamento, se conjugam para conduzir o lince ibérico à beira da extinção.

Citação do site do Diário de noticias:

Dois linces-ibéricos nasceram em Silves

por FILOMENA NAVES

Reprodução em cativeiro do lince-ibérico teve o primeiro sucesso em Portugal. Duas crias nasceram no dia 4 deste mês no centro  de Silves. A mãe, ‘Azahar’, que quer dizer ‘flor de laranjeira’ em árabe, está a ter um comportamento exemplar para com a sua primeira descendência.

Nasceram no Domingo de Páscoa e isso é com certeza bom sinal. Não se sabe ainda se são machos ou fêmeas, ou um de cada – só dentro de um mês se poderá manipular as crias. E também não têm nome ainda. O que é certo é que a mãe, Azahar, está a ter um comportamento exemplar com os seus bebés e que um deles vai ser baptizado pelas crianças de São Bartolomeu de Messines, a freguesia do concelho de Silves onde está o Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico.

As duas primeiras crias de lince- -ibérico nascidas em Portugal em cativeiro têm agora uma semana, já pesam 200 a 300 gramas e continuam ao cuidado da mãe, que tem tido “um comportamento exemplar”, segundo o responsável do centro, o veterinário e especialista em felinos Rodrigo Serra.

Para já, está tudo a correr bem, e uma semana já lá vai, mas ainda falta pelo menos outra para um primeiro suspiro de alívio. É que as duas primeiras semanas “são cruciais”, explicou Rodrigo Serra, já que “existe o perigo de a fêmea as abandonar, o que pode obrigar-nos a intervir para amamentar as crias, numa fase ainda muito débil de desenvolvimento”.

Nada disso aconteceu, e nada indica que vá suceder. Pelo contrário, a equipa técnica está fascinada. “É impressionante, a progenitora está permanentemente metida na caixa parideira e a única coisa que faz é tratar das crias”, contou Rodrigo Serra.

A vigilância, no entanto, não abranda um minuto. “Estamos em alerta permanente, através do circuito interno de vídeo, para o caso de ser necessário a nossa intervenção”, adiantou.

Os dois pequenos linces são as primeiras crias de Azahar, cujo nome significa “flor de laranjeira” em árabe. Esta fêmea nasceu em liberdade, na Sierra Morena, em 2004, e tem a particularidade de ter sido o primeiro animal transferido de Espanha para o centro de Silves, em Outubro do ano passado, ao abrigo do Plano Ibérico para a conservação do lince. Com as duas crias, a população em cativeiro do centro de Silves subiu de repente de 16 para 18 animais.

Azahar nunca tinha conseguido engravidar no centro de Jerez de la Frontera, onde se encontrava antes de ter vindo para o Algarve. O stress urbano poderá ter impedido a gravidez. Mas em Silves tudo correu sobre rodas.

Em Dezembro, a equipa técnica juntou Azahar e Drago – que nasceu em cativeiro em La Olivilla e é um dos 16 exemplares que vieram de Espanha – e o resultado foi um sucesso. A parceria foi “perfeita”, considerou Rodrigo Serra. “Foi química, apesar de fazermos as parelhas com critérios genéticos.”

“Nada diria que se fossem dar bem, mas deram-se perfeitamente e estiveram juntos até 15 dias antes do parto”, contou o responsável, explicando que a fêmea “começou a manifestar cio cinco dias antes das primeiras cópulas, a 29 de Janeiro, o que prova que se adaptou rapidamente às nossas condições”.

Agora é esperar que tudo continue a correr bem. Dentro de um mês já será possível manipular as crias e então se saberá o seu sexo. Quanto ao nome, para além do concurso nas escolas, a equipa técnica terá o privilégio de baptizar uma delas. Aguardemos.

By: Ricardo Meireles

12-04-2010

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